01/07/2014

Ressaca de séries literárias e Alergia a fandoms


AVISO: Este POST não foi escrito na intenção de ofender nada ou ninguém, trata-se única e exclusivamente da minha opinião e das conclusões que tirei após certas experiências e observâncias.

Comecei a ler livros que não eram "peças únicas" aos 13 anos. Ambos desconhecidos de todas as pessoas que me cercavam e ainda cercam. E ambos eu não continuei a leitura dos outros livros.

Aos 16 anos fui apresentada, por uma colega de classe, a um livro chamado Crepúsculo, escrito por Stephenie Meyer. A mesma colega me explicou que os direitos para produção de um filme já haviam sido comprados e que logo o segundo volume da saga seria lançado em terras tupiniquins.
Interessei-me na época por se tratar de um livro de vampiros e por querer saber onde a tal paixão irremediável da protagonista levaria seu pescoço.
Devorei o 1º em questão de dias, e por causa da minha curiosidade quase infinita de saber quantos livros viriam a seguir, acabei lendo o que aconteceria em todos os outros livros. Mas não desisti, pois existia muita coisa entre o começo e o final de cada livro.

Cerca de 1 ano depois, o primeiro filme homônimo fora lançado, a essa altura eu já tinha lido o 3º volume e aguardava ansiosa o lançamento do 4º e último volume.
Para o meu azar, frustração e descontentamento, tive de assistir o filme dublado. Eu gostava da saga, e até então conhecia poucas pessoas que compartilhavam o mesmo gosto. Mas na sala do cinema... Eram gritos e mais gritos cada vez que um dos personagens do triangulo amoroso aparecia ou eles faziam menção de se beijarem.
Nunca entendi o porquê daqueles gritos, desnecessários, diga-se de passagem. Acabei saindo do cinema estressada. Paguei para assistir um filme e não ouvi metade dos diálogos. ¬¬"

Após o tal filme, pipocaram fãs de todos os cantos da cidade e do mundo. Eu consideraria isso uma coisa boa, não fosse o fato de termos como "poser" terem brotado junto na minha vida. Mas esta não é nem de longe a pior parte, na minha opinião.
Logo começaram a surgir pessoas ofendendo e sentindo-se superiores a outras que escreviam/falavam os nomes dos personagens de maneira errada. Os que "ousassem" criticar os livros ou até mesmo algum integrante do elenco dos filmes então... Só não eram chamados de santos, porque de resto...
Percebendo isto, eu (que já não estava tão feliz depois do tal filme) comecei a gostar cada vez menos da saga.

Tempos depois, quando o ultimo livro foi lançado por aqui. Nem dei muita atenção. Esperei quase um ano até comprar o tal livro e vários meses até começar a ler. A essa altura, o livro já me dava sono e demorei muitas noites até conseguir terminar, já que o tal livro não tinha quase nenhuma ação. Sim, cheguei ao ponto de usar o livro como sonífero. Hoje em dia, quando penso a respeito, não sei se teria saco de ler a saga toda novamente. Existe um livro lançado posteriormente chamado "A Breve Segunda Vida de Bree Turner" o qual eu não li, e nem pretendo.
Depois de todos esses acontecimentos, passei a crer que o meu problema foram os filmes e alguns tipos de fã.

Em 2011, comecei a acompanhar uma segunda serie de livros. “The Mortal Instruments”, conhecida também como TMI ou “Os Instrumentos Mortais”, escrita pela Cassandra Clare. Desta vez, descobri sem indicação direta de pessoas. Interessei-me por causa do humor ácido e língua afiada de alguns personagens, e por conter lutas com monstros de todos os tipos.
Em agosto de 2013, quando lançaram o filme intitulado “Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos”, que deveria fazer referencia somente ao primeiro livro, eu já havia lido 3 dos 5 livros lançados até então e outro livro dos 2 lançados de uma trilogia chamada “The Infernal Devices” (a.k.a. TID ou “As Peças Infernais”), escritos pela Clare, ambientada com os mesmos seres mágicos, porem a historia se passando cerca de 200 anos antes. Naquele período eu ainda estava um tanto “viciada” na saga. Mas isso não foi algo muito duradouro.
Alguns meses antes, eu conheci pessoas pela internet através de um grupo no Facebook, o número de membros era alto, mas ainda sim as pessoas se respeitavam. Aqui ou ali surgiam extremistas, quando alguém “ousava” dizer, por exemplo, que a autora era feia e gorda.
Ainda através de tal grupo conheci pessoas na minha cidade que gostam da mesma saga e até de muitas outras as quais eu nem cogitei ler. Naturalmente após o filme surgiram novos fãs em todo lugar. E mais uma vez, eu me afastei do fandom. E até mesmo das pessoas que conheci aqui. Acho que para preservar na memória apenas as coisas boas, como por exemplo, não ser alvo de pré-conceito por gostar de determinada coisa.
Algo aconteceu depois do lançamento do tal filme (outra vez?), ao qual não dei muita importância. É verdade que parte dos livros eu cheguei a devorar em 24hrs, mas após ler o 5º livro, o qual eu rezava para ser o ultimo, eu estava “cansada”. O personagem que me “convenceu” a ler a saga já não tinha aquele mesmo humor e língua afiada de antes, seu par romântico e uma das protagonistas da saga passou a me tirar do sério.
Acho que estou de ressaca da série. E praticamente só terminarei de ler o “Códex dos Caçadores de Sombras” e lerei o 6º volume de TMI (que eu recebi hoje) por querer saber quem morre, quem vive e poder encerrar de uma vez essa saga.

No fim de tudo, eu sei que tenho ressacas de livros e personagens, como se tivesse “bebido todas”, nesse caso lido. E alérgica a fandoms por não aguentar muito tempo fazer parte de um grupo que provavelmente vai acabar ficando com uma fama ruim por seus comportamentos intolerantes.

29/06/2014

Café, Não Traição E Um Projeto de Casanova


Um rapaz de cabelos loiros caminhava pela rua, quando parou em frente a uma cafeteria. Ao fundo do estabelecimento, agora quase vazio, pôde ver um casal conversando animadamente. O jovem, simplesmente, não podia ou não queria acreditar no que seus olhos mostravam.
Ele adentrou a cafeteria e foi direto para a tal mesa.
― Melanie, o que significa isso? Quem é esse cara? ― indagou pegando a garota pelo braço e tentando tira-la da mesa.
― Solte-me, Joshua! ― exigiu a ruiva ― E “o que significa isso” o que? Estou apenas conversando com um amigo numa cafeteria. ― completou indicando para o rapaz de traços asiáticos e pele bronzeada a sua frente.
― Não acredito que você está me traindo com este imbecil! ― disse puxando a garota mais uma vez.
―Alto lá, fale por você e não por mim. Eu pelo menos sei esconder os meus casos.  ― rebateu, levantando-se  ― E solte o braço da garota, ou você não ouviu o que ela disse? ― Mell, onde você arranja este tipo de companhia? ― indagou medindo o outro da cabeça aos pés.
― A conversa ainda não chegou à loja de roupas. ― respondeu ferino encostando o indicador no peito do moreno ― Vamos, Melanie! Não quero minha garota andando com caras desse tipo.
― Traição, Fashingbauer? Não existe este verbete no que diz respeito a nós dois. Nunca existiu um relacionamento de verdade, portanto, não há traição. Nós só saímos algumas vezes. E ao que me consta, você costuma sair com suas amigas. ― rebateu desafiadora a ruiva de olhos negros enquanto arrancava os dedos do rapaz de seu braço.
                ― Você nunca disse nada antes. Aposto que só está falando isso agora por causa desse aí. ― meneou a cabeça em direção ao rapaz de cabelos negros e espetados ― E não tente mudar o foco da conversa.
― Nunca disse nada por não ser problema meu. E nem me venha com desculpas ou tentando jogar a culpa para cima de Raymond. Eu sei de pelo menos metade das garotas com quem você saiu nos últimos meses, projeto de Casanova. E nem foi preciso invadir sua privacidade para isso... Agora se retire daqui, antes que eu chame o segurança. ― disse por fim, dando um olhar de desprezo.
Joshua, agora sem argumentos, deixou o recinto com os olhos inflamados de raiva e sem proferir outra palavra sequer.
― Não conhecia esse seu lado de menina má, Mell... ― disse Raymond com uma expressão entre sedutor e divertido, enquanto acariciava o braço da jovem.

― Esta é apenas uma das minhas muitas faces que você ainda não conhece. ― respondeu levando a xícara aos lábios, antes de sorver outro gole de seu cappuccino.

Murder On The Pier


Nós precisamos conversar, Addie... ― disse o dono da voz grave ao telefone.
Más nós já o estamos fazendo... Apenas diga o que deseja. ― respondeu a mulher de fios loiros e tão pálidos quanto sua pele.
Tem de ser pessoalmente... Não é algo a se tratar por telefone.
Tudo bem, me encontre no píer onde nos conhecemos em uma hora. ― dizendo isto a mulher desligou.
Se ele espera me pegar com essa conversinha está muito enganado” pensou a loira mandando algumas mensagens a partir de um celular descartável. Juntou então suas coisas dentro de duas bolsas de couro negro e desceu para o saguão do hotel onde se hospedara pelos últimos sete meses.
― Gostaria de fechar minha conta, por favor. ― disse para a atendente de cabelos negros e lisos atrás do balcão.
― Claro, senhorita Green. ― respondeu a mulher buscando em seu computador o cadastro da hospede.
― Uma pessoa virá buscar estas bolsas daqui a algum tempo. ― disse Green depositando o valor da conta em espécie sobre o balcão juntamente com as referidas bolsas e duas notas de valor alto sobre elas, deixando o local antes de obter resposta.
A loira, que até então usava um vestido floral simples por baixo de um sobretudo de cor caqui e sandálias de tiras na cor creme, entrou em um beco mal iluminado a algumas ruas do hotel e agora trajava calça, blusa e botas de cano longo pretas além de uma jaqueta de couro com capuz tão escura quanto.
Já era noite quando deu a hora combinada. A mulher chegara ao píer, encontrando o homem com quem conversara mais cedo esperando-a ali, na parte mais longe da margem.
― Está me esperando a muito, Rick? ― indagou aproximando-se e abraçando o homem de cabelos negros e encaracolados que vestia uma combinação de blazer escuro e jeans.
― Acabei de chegar, Adele. ― respondeu e acarinhou o rosto da mulher antes de beija-la.
― Então, Richard... Qual o assunto tão misterioso que não poderia ser falado por telefone? ― indagou afastando-se alguns passos.
― Eu fui procura-la na empresa hoje e eles disseram que nunca houve nenhuma Adele Green em seu quadro de funcionários... Afinal, quem é você? E para quem realmente trabalha? ― falou o homem colocando a mão por dentro do blazer, como se procurasse algo. ― A polícia já está a caminho para prende-la por falsidade ideológica...
― Procurando por isto? ― perguntou a mulher tirando o braço direito das costas e empunhando uma pistola ponto quarenta ― Nunca confie numa mulher de quem não sabe nem o nome. ― respondeu antes que Richard externalizasse a pergunta.
― LARGUE A ARMA E PONHA AS MÃOS PARA O ALTO! ― ordenou um policial pelo megafone na outra ponta do píer juntamente com outros oficiais e viaturas.
― Eu sou Tatyana Orlov, filha de Mikhail Orlov. Homem que você enganou e matou cinco anos atrás, fingindo ser um empresário do petróleo. ― disse por fim, atirando com a pistola que foi usada para tirar a vida de seu pai. O projétil acertou em cheio o peito do homem o qual enganara nos últimos meses.
A mulher puxou para cima o capuz de sua jaqueta e atirou-se nas águas, agora negras do lago, desaparecendo.
Uma ambulância foi chamada, mas os paramédicos não chegaram a tempo de salvar a vida do homem baleado. Este levaria o nome de sua assassina para o túmulo. A polícia passou a noite buscando a mulher nas águas e redondezas do lago. Mas a única coisa encontrada foi uma lancha alugada flutuando a esmo.

Na semana seguinte o caso do assassinato de Richard Hughes já era destaque nos principais jornais do mundo. O homem que antes se apresentava como descendente dos Baker era na verdade um integrante da extensa lista de procurados da Interpol por uma série de crimes. E Tatyana juntamente com sua prima Alexandra, que fingira ser uma atendente de hotel. se deliciavam num café parisiense com a notícia de que a assassina-justiceira desaparecera sem deixar rastro.

26/06/2014

Plan And Games


― Fala sério, Oliver. Você está caído de amores pela vizinha do Adam ― afirmava William em tom brincalhão, tentando fazer o amigo admitir.
― Sem chances, cara. Ela nem faz o meu tipo... – rebateu dando um sorriso torto e debochado em seguida.
― Vai querer me dizer que depois de todo esse tempo andando para todo lado com a vizinha do Adam, você não sentiu nada por ela? – indagou Joe com um sorriso brotando nos lábios e uma ideia surgindo em sua cabeça.
― Ela tem nome. E a única coisa que eu comecei a sentir por ela depois desse mês, que passamos organizando sua festa surpresa, é que nos tornamos amigos, e só. ― respondeu levantando-se e indo em direção ao corredor ― É melhor vocês começarem a se arrumar. Temos de estar na casa do Adam em uma hora.

Vendo o amigo deixar o recinto, os outros decidiram testar o que este dissera. Kyle, por ser o outro único solteiro, foi escolhido para por o plano em prática. Para a ocasião escolheu uma camisa de mangas longas e botões, os quais estavam um tanto frouxos, como parte do propósito.
Tempos depois, já no elevador do prédio de Adam, Kyle desabotoou alguns botões e foi direto para a porta da tal vizinha, enquanto os demais esperavam o anfitrião abrir a porta.

― Errando a porta, Kyle? ― indagou uma garota de cabelos afogueados e olhos castanhos que atendera a porta.
― Não... ― começou a falar enquanto puxava a garota pela cintura ― Passei apenas para dizer “oi”... ― disse próximo ao ouvido da mesma, mas alto o suficiente para que os outros ouvissem, antes de depositar um beijo na linha do maxilar da ruiva.
― Oi... – respondeu tentando disfarçar a surpresa pelo ato do amigo ― E guarde este tipo de cumprimento para sua namorada... – empurrou-o com as mãos espalmadas no peito do mesmo.
 ― I’m sexy, free and single... – cantarolou e deu uma piscadela para a jovem antes de adentrar no apartamento vizinho.

Oliver ao assistir a cena, pareceu não gostar, mas disfarçou como pôde. Apenas cumprimentou a garota formalmente, como fizeram os outros e seguiu-os.
Um par de horas se passou e com elas o filme que os rapazes assistiam. Sabendo que a gracinha de mais cedo não surtira nenhum efeito visível, Kyle arrancara os botões inferiores da camisa antes de Adam acender as luzes.

― Cara, onde eu vou achar alguém para arrumar isso? Essa é minha camisa favorita... ― disse fingindo se lamentar.
― Por que você não pede para a Cassandra? É ela quem arruma as minhas quando minha mãe está viajando. ― sugeriu Adam, já ciente do plano.
― É uma boa ideia... ― disse Kyle se dirigindo ao interfone.

Minutos depois a garota estava no mesmo apartamento que os rapazes, com seu kit de costura em mãos.

― Onde está a tal camisa, Kyle? – indagou parecendo indiferente e sentando-se próxima a bancada da cozinha americana.
― É a que estou vestindo... ― começou a dizer com um olhar sacana ― Se quiser posso tira-la para você... ― disse enquanto fechava o espaço entre os dois.
― Se não quiser correr o risco de ser espetado pelas minhas agulhas... É melhor tirar. ― respondeu com um olhar de mesmo teor.

O homem colocou as mãos ladeando o corpo da garota sentada a sua frente depositando a camisa sobre o balcão, observando o rosto do outro antes de fazer menção a beijar a mulher próxima a si.

― Hey, devagar aí, meu caro... ― disse a garota colocando as pontas dos dedos sobre a boca do rapaz.
― Pensei que nós fossemos amigos...
― E nós somos... Mas não desse tipo. ― respondeu virando-se para o balcão e começando a arrumar a peça de roupa.

Alguns minutos depois, Cassandra deixou o lugar e voltou ao próprio apartamento.

― Parece que alguém se deu mal hoje... ― disse William divertindo-se com a situação, ao passo em que Oliver conversava ao telefone no outro canto da sala.
― Bem, eu preciso ir. Minha mãe quer me ver no jantar de hoje... ― dizendo isto, despediu-se com um aceno e deixou o apartamento do amigo.

O que ninguém ali, exceto Adam, sabia é que antes mesmo do elevador chegar, Oliver já teria digitado a senha e adentrado o apartamento vizinho.

― O que deu no seu amigo hoje? ― indagou a garota de cabelos rubros aproximando-se.
― Estão tentando me induzir a fazer uma cena de ciúmes, por sua causa... ― respondeu colocando as mãos na cintura da jovem e suspendendo-a ― E por que você não cortou de uma vez as investidas do Kyle? ― indagou sentindo as pernas da garota se entrelaçarem ao seu redor.
― Porque você sabe que eu gosto de joguinhos desse tipo... ― respondeu mordendo o lóbulo da orelha do rapaz.

― Hum... Prefiro ser seu único oponente nesses jogos... – disse por fim deitando a garota no sofá.