29/06/2014

Murder On The Pier


Nós precisamos conversar, Addie... ― disse o dono da voz grave ao telefone.
Más nós já o estamos fazendo... Apenas diga o que deseja. ― respondeu a mulher de fios loiros e tão pálidos quanto sua pele.
Tem de ser pessoalmente... Não é algo a se tratar por telefone.
Tudo bem, me encontre no píer onde nos conhecemos em uma hora. ― dizendo isto a mulher desligou.
Se ele espera me pegar com essa conversinha está muito enganado” pensou a loira mandando algumas mensagens a partir de um celular descartável. Juntou então suas coisas dentro de duas bolsas de couro negro e desceu para o saguão do hotel onde se hospedara pelos últimos sete meses.
― Gostaria de fechar minha conta, por favor. ― disse para a atendente de cabelos negros e lisos atrás do balcão.
― Claro, senhorita Green. ― respondeu a mulher buscando em seu computador o cadastro da hospede.
― Uma pessoa virá buscar estas bolsas daqui a algum tempo. ― disse Green depositando o valor da conta em espécie sobre o balcão juntamente com as referidas bolsas e duas notas de valor alto sobre elas, deixando o local antes de obter resposta.
A loira, que até então usava um vestido floral simples por baixo de um sobretudo de cor caqui e sandálias de tiras na cor creme, entrou em um beco mal iluminado a algumas ruas do hotel e agora trajava calça, blusa e botas de cano longo pretas além de uma jaqueta de couro com capuz tão escura quanto.
Já era noite quando deu a hora combinada. A mulher chegara ao píer, encontrando o homem com quem conversara mais cedo esperando-a ali, na parte mais longe da margem.
― Está me esperando a muito, Rick? ― indagou aproximando-se e abraçando o homem de cabelos negros e encaracolados que vestia uma combinação de blazer escuro e jeans.
― Acabei de chegar, Adele. ― respondeu e acarinhou o rosto da mulher antes de beija-la.
― Então, Richard... Qual o assunto tão misterioso que não poderia ser falado por telefone? ― indagou afastando-se alguns passos.
― Eu fui procura-la na empresa hoje e eles disseram que nunca houve nenhuma Adele Green em seu quadro de funcionários... Afinal, quem é você? E para quem realmente trabalha? ― falou o homem colocando a mão por dentro do blazer, como se procurasse algo. ― A polícia já está a caminho para prende-la por falsidade ideológica...
― Procurando por isto? ― perguntou a mulher tirando o braço direito das costas e empunhando uma pistola ponto quarenta ― Nunca confie numa mulher de quem não sabe nem o nome. ― respondeu antes que Richard externalizasse a pergunta.
― LARGUE A ARMA E PONHA AS MÃOS PARA O ALTO! ― ordenou um policial pelo megafone na outra ponta do píer juntamente com outros oficiais e viaturas.
― Eu sou Tatyana Orlov, filha de Mikhail Orlov. Homem que você enganou e matou cinco anos atrás, fingindo ser um empresário do petróleo. ― disse por fim, atirando com a pistola que foi usada para tirar a vida de seu pai. O projétil acertou em cheio o peito do homem o qual enganara nos últimos meses.
A mulher puxou para cima o capuz de sua jaqueta e atirou-se nas águas, agora negras do lago, desaparecendo.
Uma ambulância foi chamada, mas os paramédicos não chegaram a tempo de salvar a vida do homem baleado. Este levaria o nome de sua assassina para o túmulo. A polícia passou a noite buscando a mulher nas águas e redondezas do lago. Mas a única coisa encontrada foi uma lancha alugada flutuando a esmo.

Na semana seguinte o caso do assassinato de Richard Hughes já era destaque nos principais jornais do mundo. O homem que antes se apresentava como descendente dos Baker era na verdade um integrante da extensa lista de procurados da Interpol por uma série de crimes. E Tatyana juntamente com sua prima Alexandra, que fingira ser uma atendente de hotel. se deliciavam num café parisiense com a notícia de que a assassina-justiceira desaparecera sem deixar rastro.
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Um comentário:

  1. Só depois de ler pela segunda vez que fui me tocar do "café parisiense" /lerda
    Enfim, escreva mais textos com prota Badass

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